

Apresentação
O evento "Veias (ainda) abertas na América Latina: memória, cultura e resistência" encontra sua urgência na persistente atualidade dos mecanismos de intervenção e subjugação que moldam o subcontinente. No amanhecer de 2026, o cenário geopolítico global foi sacudido por eventos que pareciam pertencer a um passado superado: o sequestro do presidente venezuelano por forças estrangeiras sob a égide da operação "Resolução Absoluta". Este espetáculo de rendição, orquestrado e difundido globalmente, não apenas fere a soberania nacional, mas atua como uma atualização traumática do histórico de intervenções estadunidenses na região.
A ironia do porta-aviões Iwo Jima como cenário dessa rendição serve como metáfora para as "ilhas-base" que o poder hegemônico tenta replicar em solo latino-americano. Diante dessa realidade que evoca o espetáculo da força, ressoa com renovada crueza a advertência de Eduardo Galeano: a de que se "vendeu a alma ao diabo por um preço que deixaria Fausto envergonhado".
Nesse contexto, a obra fundamental de Galeano, As Veias Abertas da América Latina (1971), 55 anos em 2016, deixa de ser apenas um marco do pensamento latino-americanista para tornar-se uma lente necessária para ler o presente. Galeano, ao hibridizar literatura e história, construiu uma narrativa de contra-história que resgata o longo processo de exploração — das potências coloniais europeias ao imperialismo contemporâneo.
A motivação deste evento reside, portanto, na necessidade de investigar como a cultura e a resistência intelectual reagem a essa "escrita da história" feita à força. Se Galeano desafiou os cânones para narrar a subjugação, cabe a nós, neste espaço acadêmico, debater as veias que permanecem abertas e as formas de sensibilidade política que impedem o fechamento definitivo da memória e da soberania latino-americana.
Nós, estudantes e docentes do Curso de História da UENP, convidamos professores, pesquisadores e interessados a uma profunda reflexão sobre os processos culturais de transformação social que moldaram a história recente da América Latina.
O evento, a ser realizado de 8 a 12 de junho de 2026, contará com Conferências, Mesas-Redondas, apresentações de trabalhos em Seminários Temáticos (STs), Minicurso, Mostra de Cinema e Exposição regional em momentos de trocas culturais. Esta será uma oportunidade ímpar para fortalecer redes de pesquisa e fomentar a produção de conhecimento histórico comprometido com a crítica e a transformação social dos povos da América Latina.